Ela aparece nos momentos de silêncio, nas madrugadas em que o corpo não encontra descanso, e também nos dias em que as palavras escorrem com facilidade.
Será que estou fazendo o certo ao falar da minha vida, da minha luta, da minha doença… aqui, tão abertamente?
A Discinesia-ADCY5 não é algo que escolhi, mas é algo que aprendi a carregar.
Ela não vem com manual de instruções, nem com prazo de validade para as dificuldades.
Cada dia é uma nova página, e nunca sei se nela estará escrita uma vitória, uma dor ou apenas mais um passo cansado.
E mesmo assim, continuo escrevendo, continuo compartilhando — porque sei que, em algum canto do mundo, alguém precisa ouvir o que tenho para dizer.
Falar sobre minha doença é abrir a alma.
É mostrar ao mundo que, por trás do diagnóstico, existe um ser humano que sente medo, mas também sente esperança.
Que sente dor, mas também sabe sorrir.
Que chora, mas também sabe sonhar.
Às vezes, me pergunto se vale a pena me expor tanto.
Mas então lembro: cada mensagem que recebo, cada pessoa que diz que encontrou força nas minhas palavras, é a resposta que eu preciso.
Não é sobre mim apenas. É sobre todos nós que, de alguma forma, lutamos batalhas que poucos conhecem.
E é aqui, nesta página, que eu consigo ser completamente eu.
Sem precisar esconder as minhas limitações, sem fingir que tudo é perfeito, mas também sem perder a esperança de dias melhores.
Aqui, minha verdade não é vergonha — é minha coragem.
Talvez o “certo” não seja seguir um roteiro seguro.
Talvez o “certo” seja justamente arriscar, falar, se abrir, mesmo que o mundo não entenda.
Talvez o “certo” seja transformar minha dor em algo que possa inspirar alguém a continuar.
Porque, no fim das contas, não é apenas sobre viver com a Discinesia-ADCY5.
É sobre aprender que a vida é feita de pequenos milagres, de instantes de amor, de vitórias que muitas vezes só nós conseguimos enxergar.
E é sobre nunca deixar que a doença seja maior que a minha vontade de existir de verdade.
Então, será que estou fazendo o certo?
Talvez sim, talvez não.
Mas enquanto minhas palavras encontrarem um coração que precise delas, eu seguirei escrevendo.
Porque, para mim, continuar é a minha forma mais bonita de vencer.

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