A verdade é que, vivendo com uma doença rara como a Discinesia ADCY5, muitas vezes eu precisei usar uma máscara. Quantas vezes sorri para o mundo, dizendo: “está tudo bem comigo”, quando por dentro eu estava travando batalhas que quase ninguém consegue ver?
As pessoas olham para fora, mas não enxergam o peso que carrego dentro. Fingir que estou bem parecia mais fácil do que tentar explicar algo que poucos realmente entendem. Mas a verdade é que esconder a dor não a faz desaparecer — apenas a silencia.
Viver com uma condição rara é enfrentar o desconhecido todos os dias. É acordar com dúvidas, com limitações, mas também com uma coragem que nem eu sabia que tinha. É sentir o coração apertado, mas mesmo assim continuar caminhando. É vestir um personagem forte, mesmo quando, na realidade, eu só queria desabar.
Só que hoje eu entendo: não preciso mais fingir o tempo todo. Não preciso mostrar uma força que às vezes me falta. Porque ser verdadeiro também é uma forma de coragem. Dizer “não estou bem” não me diminui, pelo contrário — me humaniza.
Quero que minha história sirva de esperança. Que as pessoas compreendam que, mesmo com uma doença rara, eu não deixo de sonhar, não deixo de lutar, não deixo de acreditar que dias melhores virão. Porque dentro de mim existe algo maior que qualquer diagnóstico: a fé de que a vida vale a pena, mesmo nos dias mais difíceis.
E se em alguns momentos eu ainda vestir esse personagem para dizer que estou bem, espero que no fundo todos entendam que é apenas a forma que encontrei de seguir em frente. Mas, acima de tudo, sigo acreditando que a verdade e a esperança são os maiores remédios que existem.




