sábado, 6 de setembro de 2025

As vezes as pessoas esquecem que você tem sentimentos



Às vezes, as pessoas olham para mim e enxergam primeiro a minha doença, antes de verem quem eu sou. Elas se esquecem de que, por trás de um diagnóstico chamado Discinesia ADCY5, existe uma pessoa completa — com sonhos, medos, alegrias e fragilidades.

Elas se esquecem de que eu também tenho sentimentos.
Se esquecem de que eu também sinto dor, que também me emociono com um gesto de carinho, que também sorrio por coisas simples e que também me entristeço quando sou tratado como diferente ou incapaz.

O que eu preciso não é de pena, nem de rótulos.
O que eu preciso é ser ouvido. É sentir que a minha voz importa. É saber que, mesmo com as minhas limitações, eu tenho espaço para existir do meu jeito. Porque eu sou normal.
Normal na forma mais verdadeira da palavra: um ser humano com uma vida única, um coração que bate forte e uma história que merece ser contada.

Ser ouvido é mais do que escutar palavras. É perceber a emoção que existe por trás de cada frase, é entender que, às vezes, o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso. É olhar nos olhos e dizer, sem dizer: “Eu estou aqui para você”.

Ser acolhido é mais do que um abraço. É sentir que você é aceito exatamente como é — sem tentar ser moldado para caber nas expectativas dos outros. É sentir que você tem um lugar seguro para ser vulnerável, sem medo de julgamentos ou afastamentos.

Viver com uma doença rara como a Discinesia ADCY5 é, muitas vezes, um teste diário de paciência e força. Mas o que mais dói não é a dificuldade física. É quando as pessoas esquecem que, por trás de cada sintoma, há uma pessoa que só quer ser tratada com humanidade.

Eu não sou a minha doença.
Eu sou Júlio, com minhas histórias, minhas batalhas e meus sonhos. E tudo o que eu peço é que o mundo se lembre disso — que olhe para mim e veja um ser humano antes de qualquer rótulo.

Porque, no fim, o que todos nós precisamos é simples:
Ser ouvidos.
Ser acolhidos.
E, acima de tudo, ser amados pelo que somos de verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quando o apoio se transforma em esperança

Nem todas as batalhas são visíveis. Algumas acontecem em silêncio, longe dos olhares da maioria das pessoas. Viver com uma doença rara é cam...