quarta-feira, 11 de junho de 2025

Aceitar para Viver: Minha Caminhada com a Discinesia ADCY5 Parte 1


Aceitar a Discinesia ADCY5 não foi algo que aconteceu da noite pro dia. Foi um processo. Um caminho cheio de dúvidas, inseguranças e, principalmente, medo. Medo do futuro, medo do que as pessoas iriam pensar, medo de não ser visto além da condição. Viver com uma doença rara é conviver com olhares curiosos, com julgamentos silenciosos e, infelizmente, com o preconceito.

Durante muito tempo me perguntei: por que eu? Mas com o tempo, percebi que essa pergunta não me levaria a lugar algum. Comecei a focar no que eu podia fazer com o que a vida me deu. E foi aí que nasceu a aceitação. Não uma aceitação de cruzar os braços, mas de levantar a cabeça e seguir lutando, com orgulho de quem sou.

Decidi compartilhar minha história. Criei um blog para falar da minha vivência com a Discinesia ADCY5, do meu tratamento, dos dias difíceis e das pequenas vitórias. Foi ali que encontrei voz. Uma forma de transformar dor em informação, medo em coragem e isolamento em conexão. Porque ninguém deve enfrentar isso sozinho.

Hoje, com o apoio da Rede Sarah em Brasília e com o suporte que encontrei pelo caminho, sigo firme. Tenho consciência de que a sociedade ainda tem muito a evoluir. O preconceito ainda existe e machuca. Mas aprendi a me blindar com conhecimento, fé e persistência. Eu sei da minha capacidade. Sei do meu valor.

Ser diagnosticado com uma condição rara não me define. O que me define é a minha força de continuar, de correr atrás dos meus sonhos, de não desistir mesmo quando tudo parece difícil. E se, com a minha história, eu puder ajudar alguém a acreditar em si mesmo, então toda essa caminhada já valeu a pena.

Porque, no fim das contas, aceitar não é se render — é se reconhecer, se respeitar e seguir em frente com coragem.

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