sábado, 12 de abril de 2025

O Paradoxo do Meu Primeiro Amor



Tudo era novo pra mim. O sentimento, o medo, o desejo de ter alguém pra chamar de "meu", pra dividir um carinho, uma conversa sincera, um abraço que acalma. Eu era só uma pessoa tentando me entender, lidando com uma doença rara, com sentimentos confusos e uma vontade imensa de ser amada. E no meio de tudo isso... a ansiedade. Sempre ela. Me sufocando, me acelerando, me fazendo criar histórias, imaginar rejeições, correr antes mesmo de alguém dizer "vem".

E então apareceu ele.

Nunca nos falamos pessoalmente, mas teve brilho no olhar, teve sonho no pensamento, teve uma esperança que talvez só eu tenha sentido — ou talvez ele também tenha, mas o tempo e os erros fizeram calar. Eu o idealizei, dei a ele um papel bonito na minha história. Criei um paradoxo: me apaixonei por alguém que eu nem conhecia de verdade, mas que mesmo assim representava tudo o que eu sentia falta — carinho, amizade, atenção, amor.

Inventei coisas... não por maldade, mas por medo. Por carência. Por querer viver algo que eu nunca tinha vivido. E, movida pela ansiedade, fui atropelando o tempo, as etapas, os sentimentos. Me perdi na vontade de ser importante pra alguém. E sem perceber, afastei.

A maior burrada da minha vida foi não ter dado uma oportunidade de verdade pra gente. De olhar no olho, de conversar com calma, de ver no que daria. Ele era alguém bom, com a vida mais estável, formado, caminhando em passos firmes. E eu, na época, só tinha meus sonhos e um coração cheio de incertezas.

A ansiedade me sabotou. A insegurança me calou. E a minha pressa destruiu qualquer possibilidade de um "nós".

Ele seguiu a vida dele. Eu segui a minha... com esse peso mudo no peito, de quem carrega um sentimento que nunca teve a chance de florescer. De vez em quando, lembro dele. Não com mágoa, mas com saudade do que não foi. Com carinho por tudo que senti. Com um aperto por tudo que perdi — ou melhor, nunca deixei acontecer.

Esse foi o meu primeiro amor: cheio de silêncio, de ansiedade, de idealizações. Mas também cheio de verdade. Porque mesmo que só eu tenha sentido tudo isso... foi real. Foi intenso. E me marcou.

Meu primeiro amor foi um paradoxo.
Nunca nos vimos pessoalmente, mas teve brilho no olhar.
Eu idealizei, sonhei, criei... e também errei.
A ansiedade falou mais alto, e o medo me fez afastar.
A maior burrada foi não dar chance pra gente se conhecer de verdade.
Mas foi amor. Real, mesmo que só dentro de mim.

Se eu pudesse dizer algo a ele, diria: me perdoa. Por não ter sido melhor, por não ter sido honesta comigo mesma, por ter deixado a ansiedade falar mais alto. E diria também: obrigada. Por ter despertado em mim o que é amar — mesmo que só de longe.


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